Adoro gente apaixonada. A paixão saudável, claro, não o terrorismo emocional. Quem curte muito o que faz contagia os outros e não se pode fazer nada a não ser jogar a toalha. Entrego-me a quem é assim. Toda vez, não tem jeito.
Por exemplo, quem tem paixão pelo trabalho faz todo o mundo notar, não precisa apresentar o caso. O entusiasmo garante que quem estiver por perto fique logo sabendo. Às vezes dá uma inveja porque parece que ali não reside problemas, é tudo festa. Mas existem problemas sim, só que a pessoa apaixonada acredita que tudo valerá a pena no fim...e não é que tudo compensa mesmo? Claro, pois as pedras no caminho são só um percalço que desaparecerá assim que o resultado final for alcançado. E os apaixonados sempre alcançam o que querem porque não desistem nunca de ser felizes. Se não dá de um jeito, muda-se o roteiro e pronto! Dê-lhe paixão para outra direção, mas sempre fazendo o que se gosta. Para que dinheiro se eu só quero amar? já perguntava o incrível Tim Maia em uma de suas músicas mais famosas.
Adoro gente apaixonada. É aquela alegria e disposição que lhes consome todas as forças ao mesmo tempo que as regenera. Veja-se a relação dos homens com o futebol. Mesmo a mais fanática das torcedoras é incapaz de reproduzir a paixão que os move quando o assunto é bola na rede. Enquanto as mulheres simplesmente vibram, os homens remexem as entranhas. Porque é assim: paixão só é paixão de verdade se for visceral. Por isso, até posso me incomodar quando os gritos são efusivos demais e as manifestações se alastram pela madrugada , mas se forem frutos da paixão saudável pelo esporte...eu entendo.
E o que dizer das mulheres e sua paixão incondicional pelas criaturas que colocam no mundo? Não há nada capaz de se interpor entre uma mãe e um filho. O pai até que tenta, mas sabe lá no fundo que não fará fervilhar seu vínculo afetivo do mesmo modo que a leoa mãe. Porque só lá, enraizado no ser materno, é que o arrebatador sentimento reside com doçura ao mesmo tempo em que está apto a transformar-se em um tsunami quando menos se espera. Desculpem-me quem nunca saiu do sério para agarrar algo apaixonadamente. Desculpem-me os técnicos competentes por detrás de suas mesas. Desculpem-me aqueles que batem ponto apenas esperando o salário chegar. Perdoem-me. Verdadeiramente não tenho nada contra nenhum de vocês, às vezes é grande mesmo a vontade de sucumbir ao marasmo. Desculpem-me todos, mas gente apaixonada é uma benção para a vida e para o mundo. Elas são melhores porque fazem as coisas vibrarem. A paixão nunca deixa ninguém esmorecer, o máximo que ela permite é um pit stop rápido para o coração aquiescer.
Não queria terminar com um chavão tão comum, porém quem resiste... A vida é muito curta para não sermos apaixonados. Sejamos logo antes que o tempo passe tão depressa que não nos dê nem tempo de sorrir. Recebemos apenas um sopro para voar com o qual precisamos plainar por toda nossa existência. Com certeza essa experiência merece o ardor que a torne inesquecível.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
sábado, 30 de julho de 2011
Amy, a personagem
Se você é do tipo que não se escandaliza mais com nada, nem precisa ler adiante. Este post é sobre a Amy Winehouse, que morreu vítima das drogas, em uma escalada crescente de degeneração física e emocional. Igual a tantas outras jovens? Pode ser, porém quem tem sensibilidade é bom que reflita. Chamou-me a atenção esta jovem não só por ser dona de uma voz incomparável, mas pelo apreço que recebeu entre os jovens de sua geração, copiadores do seu estilo de vestir e se arrumar.
Será que Amy era mesmo a garota que seguiu os passos de ídolos da juventude de outras épocas, como Janis Joplin e Kurt Cobain, que também deixaram cedo os palcos tragados pelas drogas? Sim, ela também sucumbiu, no entanto há uma diferença bastante acentuada entre esta jovem e toda aquela turma dos anos 70. Amy não parece ter usado drogas para amplificar seu talento, para romper padrões, expor rebeldia ou compor letras mais piradas como foi a tônica da geração hippie. De frágil estrutura emocional, cedo foi turbinada para o sucesso e como apoio teve companheiros que a incentivaram à decadência. Ela teve realmente pouca ou nenhuma escolha. Preferível então compará-la a Michael Jackson, que mesmo muito mais velho, também terminou soterrado pela fama, massacrado pela mídia, sem poder repousar. No final, viu-se dormindo para sempre em uma overdose de anestésicos.
O que eles tinham verdadeiramente em comum, além do talento, é que ao seu lado não havia ninguém para dizer chega! Deveria ser absurdo a nós perceber estarmos em uma sociedade que aplaude a drogadição e que já excedeu o seu limite de perversidade, sacrificando seus jovens escancaradamente, sem remorsos. Mas não, não é absurdo, tudo existe dentro de uma lógica doida, é muito lindo se chapar e se não lembrar de nada no outro dia a risada vai ser muito mais gostosa. É divertido correr riscos, it's so cool. Talvez já tenhamos vivido demais e estejamos de ressaca de sobrevivência. Quando será que o mundo vai acabar mesmo? Houve quem colocasse garrafas de bebida alcóolica em homenagem à Amy, incrível não?Deveriam ter quebrado garrafas, queimado suas baganas e seringas em uma grande fogueira simbólica. Mas não. A revolta e a tomada de atitude não existe mais em uma sociedade inconsciente de tão entorpecida por valores equivocados.
Todos nós estamos ébrios, de cara cheia de individualismo. Amy morreu e sua morte não significa nada. Ela era uma personagem e cumpriu o papel que todos esperavam. Quem quer saber se existia humanidade nela? Pois digo que deveriam querer saber. Muitas outras Amys ainda estão por aí, talvez não tão talentosas, o que as tornam alvos ainda mais fáceis da nossa indiferença.
Será que Amy era mesmo a garota que seguiu os passos de ídolos da juventude de outras épocas, como Janis Joplin e Kurt Cobain, que também deixaram cedo os palcos tragados pelas drogas? Sim, ela também sucumbiu, no entanto há uma diferença bastante acentuada entre esta jovem e toda aquela turma dos anos 70. Amy não parece ter usado drogas para amplificar seu talento, para romper padrões, expor rebeldia ou compor letras mais piradas como foi a tônica da geração hippie. De frágil estrutura emocional, cedo foi turbinada para o sucesso e como apoio teve companheiros que a incentivaram à decadência. Ela teve realmente pouca ou nenhuma escolha. Preferível então compará-la a Michael Jackson, que mesmo muito mais velho, também terminou soterrado pela fama, massacrado pela mídia, sem poder repousar. No final, viu-se dormindo para sempre em uma overdose de anestésicos.
O que eles tinham verdadeiramente em comum, além do talento, é que ao seu lado não havia ninguém para dizer chega! Deveria ser absurdo a nós perceber estarmos em uma sociedade que aplaude a drogadição e que já excedeu o seu limite de perversidade, sacrificando seus jovens escancaradamente, sem remorsos. Mas não, não é absurdo, tudo existe dentro de uma lógica doida, é muito lindo se chapar e se não lembrar de nada no outro dia a risada vai ser muito mais gostosa. É divertido correr riscos, it's so cool. Talvez já tenhamos vivido demais e estejamos de ressaca de sobrevivência. Quando será que o mundo vai acabar mesmo? Houve quem colocasse garrafas de bebida alcóolica em homenagem à Amy, incrível não?Deveriam ter quebrado garrafas, queimado suas baganas e seringas em uma grande fogueira simbólica. Mas não. A revolta e a tomada de atitude não existe mais em uma sociedade inconsciente de tão entorpecida por valores equivocados.
Todos nós estamos ébrios, de cara cheia de individualismo. Amy morreu e sua morte não significa nada. Ela era uma personagem e cumpriu o papel que todos esperavam. Quem quer saber se existia humanidade nela? Pois digo que deveriam querer saber. Muitas outras Amys ainda estão por aí, talvez não tão talentosas, o que as tornam alvos ainda mais fáceis da nossa indiferença.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Liberalidade perigosa
Lá vai o Brasil novamente para o lado contrário do bom senso. Ao invés de investir em novos presídios e em educação profissional para a massa carcerária, opta por libertar quem comete pequenos crimes ou pior - passa a aplicar penas alternativas que francamente são uma piada.
Você pode roubar, portar arma ilegal, fazer receptação, que mesmo assim farão de tudo para que você fique livre. A incoerência está ficando mesmo temerária. Os cidadãos tem de arcar cada vez mais com o convívio de deliquentes na rua para que o Estado e o Judiciário sintam-se aliviados de suas responsabilidades. Solução tão fácil quanto varrer a sujeira para baixo do tapete. Só que um dia todo esse lixo vai aparecer e talvez seja tarde demais para muitos de nós, cidadãos de bem.
Nosso país nunca investiu verdadeiramente em sistema prisional. Sempre entendeu as prisões como depósito de gente quando deveriam ser locais de recuperação para a volta produtiva e saudável dessas pessoas à sociedade. Quem comete pequenos delitos frequentemente tem um histórico de abandono, miséria ou má influência, pouca educação formal ou muita mas sem exemplo de valores morais. Só que ingressar no mundo da marginalidade é como adendrar o universo das drogas. Você testa e se nada lhe acontece você segue adiante. A ausência de limites cedo impulsiona o indivíduo a praticar atos mais graves assim como a experimentar drogas mais pesadas. Esse é um princípio básico da educação, qualquer bom pai sabe disso.
Mas o governo não. Quer mais é livrar o seu lado, como se fosse escapar impunemente adiante. Só que sinto muito: com a nova e liberal legislação, só quem vai se escapar são os criminosos. A teoria de que coibir os pequenos ilícitos previne os mais graves já foi testada com êxito em muitos países asiáticos. A criminalidade é baixíssima no Japão e nas Coréias, por exemplo, onde se passam anos sem que nenhum furto ou roubo se registre porque lá jogar papel de bala na rua dá uma encrenca braba. E o Brasil faz justamente o oposto. Deixa correr frouxo as infrações leves para ter de punir só quando transformarem-se em graves e cruéis. Ao invés de desafogar o sistema prisional, o governo está é projetando sua superlotação adiante. Que custo para a sociedade, para as vítimas de todos esses crimes hediondos, para os pais que ficam sem seus filhos, para os cidadãos que vem os recursos públicos escoando para os bolsos de corruptos!
Já era demais aguentarmos a tal da lei de progressão de regime, possibilitando a fuga sem fim de conhecidos marginais irrecuperáveis. Agora isso, o prende-e-solta vai virar o solta-de-uma-vez camuflado com o nome de medidas alternativas à prisão provisória: vamos esperar sentados o bandido apresentar-se espontâneamente à Justiça, deixar de ir à casa da mulher para espancá-la, de viajar para onde quiser só porque assim a lei está determinando. Quem vai fiscalizar isso? Por favor, não humilhem nossa inteligência! Somos humildes, não idiotas.
Lá vai o Brasil novamente para o lado contrário do bom senso. Ao invés de investir em novos presídios e em educação profissional para a massa carcerária, opta por libertar quem comete pequenos crimes ou pior - passa a aplicar penas alternativas que francamente são uma piada.
Você pode roubar, portar arma ilegal, fazer receptação, que mesmo assim farão de tudo para que você fique livre. A incoerência está ficando mesmo temerária. Os cidadãos tem de arcar cada vez mais com o convívio de deliquentes na rua para que o Estado e o Judiciário sintam-se aliviados de suas responsabilidades. Solução tão fácil quanto varrer a sujeira para baixo do tapete. Só que um dia todo esse lixo vai aparecer e talvez seja tarde demais para muitos de nós, cidadãos de bem.
Nosso país nunca investiu verdadeiramente em sistema prisional. Sempre entendeu as prisões como depósito de gente quando deveriam ser locais de recuperação para a volta produtiva e saudável dessas pessoas à sociedade. Quem comete pequenos delitos frequentemente tem um histórico de abandono, miséria ou má influência, pouca educação formal ou muita mas sem exemplo de valores morais. Só que ingressar no mundo da marginalidade é como adendrar o universo das drogas. Você testa e se nada lhe acontece você segue adiante. A ausência de limites cedo impulsiona o indivíduo a praticar atos mais graves assim como a experimentar drogas mais pesadas. Esse é um princípio básico da educação, qualquer bom pai sabe disso.
Mas o governo não. Quer mais é livrar o seu lado, como se fosse escapar impunemente adiante. Só que sinto muito: com a nova e liberal legislação, só quem vai se escapar são os criminosos. A teoria de que coibir os pequenos ilícitos previne os mais graves já foi testada com êxito em muitos países asiáticos. A criminalidade é baixíssima no Japão e nas Coréias, por exemplo, onde se passam anos sem que nenhum furto ou roubo se registre porque lá jogar papel de bala na rua dá uma encrenca braba. E o Brasil faz justamente o oposto. Deixa correr frouxo as infrações leves para ter de punir só quando transformarem-se em graves e cruéis. Ao invés de desafogar o sistema prisional, o governo está é projetando sua superlotação adiante. Que custo para a sociedade, para as vítimas de todos esses crimes hediondos, para os pais que ficam sem seus filhos, para os cidadãos que vem os recursos públicos escoando para os bolsos de corruptos!
Já era demais aguentarmos a tal da lei de progressão de regime, possibilitando a fuga sem fim de conhecidos marginais irrecuperáveis. Agora isso, o prende-e-solta vai virar o solta-de-uma-vez camuflado com o nome de medidas alternativas à prisão provisória: vamos esperar sentados o bandido apresentar-se espontâneamente à Justiça, deixar de ir à casa da mulher para espancá-la, de viajar para onde quiser só porque assim a lei está determinando. Quem vai fiscalizar isso? Por favor, não humilhem nossa inteligência! Somos humildes, não idiotas.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Um brinde à incoerência!
Eu queria entender o que nossa sociedade quer fazer realmente em relação às drogas. Proibir ou incentivar? Aparentemente só traficantes deveriam ser a favor desse comércio nefasto que destrói nossos jovens em tenra idade. Infelizmente não é verdade. Basta olhar para a foto ao lado para percebermos que a droga é legalmente aceita e incentivada até entre crianças por empresas com propagada idoneidade. Mesmo sem álcool, a champanha das princesas e dos carros tem tudo das originais borbulhantes brindadas nos reveions e está nas prateleiras dos supermercados junto às bebidas de adultos que é para as crianças não duvidarem de sua autenticidade. Acostume seus filhos desde já com a ideia de que festa combina com bebida alcoólica e verá como cedo eles associarão a necessidade de ingerí-la à diversão.
Aí você pensa que quando a criançada entrar na adolescência estará mais protegida por ter aprendido na escola que drogas não são legais - fique longe delas! - mas na boate de sábado comprarão ingressos que darão direito a cerveja (grátis!), mesmo que eles sejam menores de idade. De que adianta todo o seu português contra esse tipo de estímulo? Somos constantemente assediados pela sedução da droga, um comportamento que choca-se com as campanhas de conscientização, com a orientação que nos esforçamos a dar, com as leis de restrição. Enquanto houver essa contradição, vamos combinar, é chover no molhado tentar educar.
Nunca esse contraste ficou tão claro quanto agora, quando se discute a descriminalização da maconha. Se a droga for liberada, muitos fumantes do cigarro tradicional, atualmente acuados pela proibição de exercer seu vício em diversos locais públicos, vão trocar de bagana. Ou será que vão liberar para depois restringir, gastando milhões em campanhas de conscientização? Mas tem sempre alguém para lembrar que a descriminalização da droga é para acabar com o tráfico. Isso seria realmente um benefício se tal intento se concretizasse. Se permitir a venda de drogas terminasse com o negócio dos traficantes não veríamos todos os dias o contrabando de cigarros, produto legalmente aceito, invadindo as nossas fronteiras. Para o crime organizado, nem chega a haver uma mudança, é só seguir o baile.
Então, vamos deixar de ser hipócritas! Ninguém pode impedir pais de beberem ou fumarem diante de seus filhos dentro de seus lares, dando o solene exemplo da displicência e, por que não dizer, da idiotice. Agora podemos sim, a despeito do capitalismo, viver melhor e mais saudáveis se nos livrarmos da incoerência no âmbito social. É impossível contermos as drogas se continuarmos a incentivar o seu consumo nas entrelinhas e também ostensivamente em festas e eventos públicos. É extremamente confuso para crianças e jovens ver o circo armado sem entender se é para divertirem-se nele ou não.
Aí você pensa que quando a criançada entrar na adolescência estará mais protegida por ter aprendido na escola que drogas não são legais - fique longe delas! - mas na boate de sábado comprarão ingressos que darão direito a cerveja (grátis!), mesmo que eles sejam menores de idade. De que adianta todo o seu português contra esse tipo de estímulo? Somos constantemente assediados pela sedução da droga, um comportamento que choca-se com as campanhas de conscientização, com a orientação que nos esforçamos a dar, com as leis de restrição. Enquanto houver essa contradição, vamos combinar, é chover no molhado tentar educar.
Nunca esse contraste ficou tão claro quanto agora, quando se discute a descriminalização da maconha. Se a droga for liberada, muitos fumantes do cigarro tradicional, atualmente acuados pela proibição de exercer seu vício em diversos locais públicos, vão trocar de bagana. Ou será que vão liberar para depois restringir, gastando milhões em campanhas de conscientização? Mas tem sempre alguém para lembrar que a descriminalização da droga é para acabar com o tráfico. Isso seria realmente um benefício se tal intento se concretizasse. Se permitir a venda de drogas terminasse com o negócio dos traficantes não veríamos todos os dias o contrabando de cigarros, produto legalmente aceito, invadindo as nossas fronteiras. Para o crime organizado, nem chega a haver uma mudança, é só seguir o baile.
Então, vamos deixar de ser hipócritas! Ninguém pode impedir pais de beberem ou fumarem diante de seus filhos dentro de seus lares, dando o solene exemplo da displicência e, por que não dizer, da idiotice. Agora podemos sim, a despeito do capitalismo, viver melhor e mais saudáveis se nos livrarmos da incoerência no âmbito social. É impossível contermos as drogas se continuarmos a incentivar o seu consumo nas entrelinhas e também ostensivamente em festas e eventos públicos. É extremamente confuso para crianças e jovens ver o circo armado sem entender se é para divertirem-se nele ou não.
domingo, 12 de junho de 2011
Casa de Cultura: de quem é a incompetência
Um projeto de cedência da Casa de Cultura para o Lions Clube gerou um debate na Câmara de Vereadores que acabou, como não é incomum por aqui, em politicagem. Da mais grosseira. Como não podia acusar a atual administração do município pelo abandono do local, já que integra a bancada da situação no legislativo, o vereador Altevir Medeiros conseguiu a proeza de culpar a secretária de turismo do governo anterior, que deixou o cargo em 2004, e cujo trabalho tornou possível a construção desse patrimônio público.
Lá se vão sete anos e ao que parece os representantes do atual governo e o distinto vereador nunca haviam pisado na Casa de Cultura. Nunca foram às várias exposições culturais que lá aconteceram durante os eventos do município no parque de exposições. Essa é a única explicação para jamais terem percebido como o "projeto era de má qualidade", como agora constatou o vereador, ou que o imóvel estava deteriorado, o que não é de estranhar depois de quase uma década sem investimento público! Ao ceder o imóvel para entidades sociais nada mais faz o governo do que assinar o atestado de incompetência em cuidar do patrimônio pelo qual deveria ser responsável.
Estranho é que reformas vultuosas foram feitas no parque de exposições no último ano e nem um olhar foi dado à Casa de Cultura, por que será? Teria a ver com o fato da obra ser mérito de outro governo? Ao invés de acusar e difamar quem trouxe benesses para o município, deveria o vereador sentir vergonha e calar-se diante da inoperância e do descaso que tem o governo que defende com o patrimônio público. A Casa de Cultura é só mais um na lista dos projetos que ficaram ao léu. O quiosque de produtos coloniais continua às moscas e o prédio, que já precisou de reparos sem nunca ter servido à comunidade, virou um monumento ao desperdício de dinheiro público. Tudo indica que o Centro de Feirantes caminhe para o mesmo destino. Há um ano que o prédio está "em acabamentos finais" e nada de inauguração. Se bem que os feirantes esperam que isso nunca aconteça pois abominam a ideia de sair do centro da cidade e perder sua clientela. Se tivessem sido ouvidos previamente sobre o projeto talvez o dinheiro público fosse melhor aproveitado.
Então, é preciso pensarmos, de quem é a incompetência no trato com o patrimônio público? De quem trabalha para trazer novos projetos à comunidade ou de quem terceiriza responsabilidades e cobra outros por aquilo que é seu dever fazer? Quando a sociedade terá uma explicação sobre tudo isso? Cabe ao bom administrador dar uma satisfação adequada a esses questionamentos que angustiam o cidadão pois há tão longo tempo nada se sabe porque tais obras continuam sem o uso devido. Cabe ao bom vereador cobrar essa explicação, ou o partidarismo fala mais alto do que o interesse da comunidade?
Lá se vão sete anos e ao que parece os representantes do atual governo e o distinto vereador nunca haviam pisado na Casa de Cultura. Nunca foram às várias exposições culturais que lá aconteceram durante os eventos do município no parque de exposições. Essa é a única explicação para jamais terem percebido como o "projeto era de má qualidade", como agora constatou o vereador, ou que o imóvel estava deteriorado, o que não é de estranhar depois de quase uma década sem investimento público! Ao ceder o imóvel para entidades sociais nada mais faz o governo do que assinar o atestado de incompetência em cuidar do patrimônio pelo qual deveria ser responsável.
Estranho é que reformas vultuosas foram feitas no parque de exposições no último ano e nem um olhar foi dado à Casa de Cultura, por que será? Teria a ver com o fato da obra ser mérito de outro governo? Ao invés de acusar e difamar quem trouxe benesses para o município, deveria o vereador sentir vergonha e calar-se diante da inoperância e do descaso que tem o governo que defende com o patrimônio público. A Casa de Cultura é só mais um na lista dos projetos que ficaram ao léu. O quiosque de produtos coloniais continua às moscas e o prédio, que já precisou de reparos sem nunca ter servido à comunidade, virou um monumento ao desperdício de dinheiro público. Tudo indica que o Centro de Feirantes caminhe para o mesmo destino. Há um ano que o prédio está "em acabamentos finais" e nada de inauguração. Se bem que os feirantes esperam que isso nunca aconteça pois abominam a ideia de sair do centro da cidade e perder sua clientela. Se tivessem sido ouvidos previamente sobre o projeto talvez o dinheiro público fosse melhor aproveitado.
Então, é preciso pensarmos, de quem é a incompetência no trato com o patrimônio público? De quem trabalha para trazer novos projetos à comunidade ou de quem terceiriza responsabilidades e cobra outros por aquilo que é seu dever fazer? Quando a sociedade terá uma explicação sobre tudo isso? Cabe ao bom administrador dar uma satisfação adequada a esses questionamentos que angustiam o cidadão pois há tão longo tempo nada se sabe porque tais obras continuam sem o uso devido. Cabe ao bom vereador cobrar essa explicação, ou o partidarismo fala mais alto do que o interesse da comunidade?
terça-feira, 24 de maio de 2011
A língua esfarrapada
O MEC tenta se defender, mas o que está escrito não pode ser mudado. No polêmico livro didático Por Uma Vida Melhor se lança luz a um perigoso estratagema de inclusão que só deixa quem pouco sabe da língua portuguesa ainda mais distante da ascensão social. O texto diz explicitamente que não existe apenas uma forma correta de falar e escrever. Segundo a autora da obra, tudo é correto.
Pergunto: temos ou não uma língua padrão que nos une como nação? Essa discussão de que existe diversas variações da mesma língua e todas podem ser consideradas corretas já vem de décadas nas universidades. Quando eu fiz Letras na UFRGS em 1997 imaginei o que seria se tais ideias virassem moda. Não é que pegou? E foram radicais nisso, mas o momento é propício pois casa com a visão política que detém o poder no país. Estão baixando o nível da educação para que todos sejam incluídos - às avessas - que tragédia! A educação precisa ser de tal forma que todos possam aprender a norma culta da língua para ter o melhor desempenho social e profissional possível. Legitimar a ignorância é mais triste que ridicularizá-la ou desconsiderá-la. Quem fala "nós pega" pode aprender a conjugar certo esse verbo, basta ter acesso a uma escola básica. Já o livro do MEC insiste que "nós pega" pode ser considerado correto tanto na fala quanto na escrita. É o fim. Vamos fechar as escolas, pois se tudo pode ser correto para que ensinar alguma coisa? Todos estão certos e que falem e escrevam como quiserem. E cuidado, não reclamem: se o individuo achar que foi vítima de preconceito linguistico, usando as palavras da autora do livro, pode muito bem lhe enquadrar em alguma lei. Pois o que considero preconceituoso é o texto do livro, que transforma o aprendizado da língua em uma luta de classes. Dessa forma, desconfio que incluir para o governo tenha o significado de rebaixar quem está em cima e não alçar quem está na base da pirâmide. Um belo movimento de mobilidade social ilusório que desqualifica ao invés de agregar valor.
O MEC foi mesmo infeliz na forma como abordou o estudo sobre as variantes linguísticas. Elas existem nos regionalismos, no falar popular, mas nunca poderemos concordar que sejam aceitas na escrita como formas corretas de expressão a não ser na literatura, que o faz com consciência buscando dar vida a personagens tipificados e suas realidades. No livro a autora escreve que a língua é um instrumento de poder - certo! - então por que negar esse poder a quem ainda está à margem dele? Todo mundo sempre irá falar como achar melhor, como aprendeu em seu meio, mas o que essas pessoas tem o direito de saber é escrever e falar dentro das regras consideradas corretas pela norma culta da língua. Esse aprendizado sim fará os cidadãos brasileiros mais aptos a vencer os desafios da vida e encontrar um caminho digno de subsistência com o domínio amplo dos conhecimentos que julgar necessários.
Pergunto: temos ou não uma língua padrão que nos une como nação? Essa discussão de que existe diversas variações da mesma língua e todas podem ser consideradas corretas já vem de décadas nas universidades. Quando eu fiz Letras na UFRGS em 1997 imaginei o que seria se tais ideias virassem moda. Não é que pegou? E foram radicais nisso, mas o momento é propício pois casa com a visão política que detém o poder no país. Estão baixando o nível da educação para que todos sejam incluídos - às avessas - que tragédia! A educação precisa ser de tal forma que todos possam aprender a norma culta da língua para ter o melhor desempenho social e profissional possível. Legitimar a ignorância é mais triste que ridicularizá-la ou desconsiderá-la. Quem fala "nós pega" pode aprender a conjugar certo esse verbo, basta ter acesso a uma escola básica. Já o livro do MEC insiste que "nós pega" pode ser considerado correto tanto na fala quanto na escrita. É o fim. Vamos fechar as escolas, pois se tudo pode ser correto para que ensinar alguma coisa? Todos estão certos e que falem e escrevam como quiserem. E cuidado, não reclamem: se o individuo achar que foi vítima de preconceito linguistico, usando as palavras da autora do livro, pode muito bem lhe enquadrar em alguma lei. Pois o que considero preconceituoso é o texto do livro, que transforma o aprendizado da língua em uma luta de classes. Dessa forma, desconfio que incluir para o governo tenha o significado de rebaixar quem está em cima e não alçar quem está na base da pirâmide. Um belo movimento de mobilidade social ilusório que desqualifica ao invés de agregar valor.
O MEC foi mesmo infeliz na forma como abordou o estudo sobre as variantes linguísticas. Elas existem nos regionalismos, no falar popular, mas nunca poderemos concordar que sejam aceitas na escrita como formas corretas de expressão a não ser na literatura, que o faz com consciência buscando dar vida a personagens tipificados e suas realidades. No livro a autora escreve que a língua é um instrumento de poder - certo! - então por que negar esse poder a quem ainda está à margem dele? Todo mundo sempre irá falar como achar melhor, como aprendeu em seu meio, mas o que essas pessoas tem o direito de saber é escrever e falar dentro das regras consideradas corretas pela norma culta da língua. Esse aprendizado sim fará os cidadãos brasileiros mais aptos a vencer os desafios da vida e encontrar um caminho digno de subsistência com o domínio amplo dos conhecimentos que julgar necessários.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Um bom professor é tudo?
Iniciou ontem a série de reportagens do Jornal Nacional que visa diagnosticar a realidade das escolas municipais de todo o país e já ficou claro como vivemos mesmo uma contradição nesse setor. A escola visitada em Novo Hamburgo, com Ideb ideal, estava bem equipada, com professores qualificados e bem remunerados e tem pais presentes e parceiros, que apóiam efetivamente a instituição e o trabalho por ela desenvolvido.
Por outro lado, a outra escola avaliada, que tem o índice de desenvolvimento educacional baixo, apresentou características opostas, destaque para alunos com idades diversas na mesma sala de aula. Segundo a professora entrevistada, há dificuldade de alfabetização. Chamou-me a atenção dois itens que colaboram para que esse contraste se evidencie tanto. Por incrível que pareça nada tem a ver com a remuneração do professor, já que nas duas escolas o salário pago era praticamente o mesmo. O que bem as distinguia efetivamente eram os recursos que o professor dispunha para ensinar e a infraestrura da instituição. Porém ouso dizer que nem esse fator a meu ver é decisivo. Já a qualificação do professor sim tem profundas influência sobre o aprendizado e modo como ele é implementado na sala de aula. A professora da escola com melhor desempenho educacional tinha pós-graduação, o que certamente lhe dá vantagem nas práticas pedagógicas.
Um bom professor é tudo. De nada adianta altas tecnologias se ele não sabe utilizá-las como instrumentos educacionais. Da mesma forma de nada adianta altos salários se o professor é pouco criativo em sua performance, mantém-se desinformado da evolução do ensino e não é capaz de inovar e aprender constantemente. É preciso que o conhecimento seja arrebatado com paixão e com paixão levado aos estudantes. É absolutamente necessário que o professor seja o condutor da educação, alguém com coragem e consciência de seu papel no mundo, no qual podemos nos inspirar e espelhar, um ser capaz de ultrapassar um cenário tão limitado com o das nossas atuais salas de aula.
Por outro lado, a outra escola avaliada, que tem o índice de desenvolvimento educacional baixo, apresentou características opostas, destaque para alunos com idades diversas na mesma sala de aula. Segundo a professora entrevistada, há dificuldade de alfabetização. Chamou-me a atenção dois itens que colaboram para que esse contraste se evidencie tanto. Por incrível que pareça nada tem a ver com a remuneração do professor, já que nas duas escolas o salário pago era praticamente o mesmo. O que bem as distinguia efetivamente eram os recursos que o professor dispunha para ensinar e a infraestrura da instituição. Porém ouso dizer que nem esse fator a meu ver é decisivo. Já a qualificação do professor sim tem profundas influência sobre o aprendizado e modo como ele é implementado na sala de aula. A professora da escola com melhor desempenho educacional tinha pós-graduação, o que certamente lhe dá vantagem nas práticas pedagógicas.
Um bom professor é tudo. De nada adianta altas tecnologias se ele não sabe utilizá-las como instrumentos educacionais. Da mesma forma de nada adianta altos salários se o professor é pouco criativo em sua performance, mantém-se desinformado da evolução do ensino e não é capaz de inovar e aprender constantemente. É preciso que o conhecimento seja arrebatado com paixão e com paixão levado aos estudantes. É absolutamente necessário que o professor seja o condutor da educação, alguém com coragem e consciência de seu papel no mundo, no qual podemos nos inspirar e espelhar, um ser capaz de ultrapassar um cenário tão limitado com o das nossas atuais salas de aula.
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