sábado, 15 de outubro de 2011

Professor, sopro de inspiração


Ser professor não é para qualquer um. É muito difícil ensinar e não é por conta de carga horária elevada, baixos salários, condições de trabalho precárias, embora todas essas coisas ajudem a tornar bem mais penosa a tarefa de educar. É porque ensinar a aprender exige o dom amoroso da entrega, da persistência, da paciência. É mostrar que a gente só consegue aprender se acessar um sentimento profundo de envolvimento por aquilo que queremos realmente conhecer.
Ensinar não é só repassar a técnica, assim como aprender não é apenas assimilá-la repetindo procedimentos. Ensinar é iluminar o caminho para que o aluno possa criar além de tudo isso. E para criar não basta apenas ter técnica, é preciso alocar o coração com toda a força e inspiração que isso envolve, uma inteligência extra que extrapola o que está nos livros. Entusiasmar a ponto de fazer o aluno colocar sua emoção na busca pelo conhecimento é também o que faz o bom professor. Desejamos, descobrimos e evoluimos porque alguém nos inspirou. Neste video pode-se perceber essas questões sem a necessidade de palavras. Uma justa homenagem a quem lida com letras, números, ideias e com os sentimentos mais mágicos e poderosos do ser humano.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Conflitos de se amar um país como o Brasil

Insiste em preponderar em grande parte dos corações brasileiros sentimentos contraditórios quando são chamados a declarar seu amor pela Pátria. Num país como o Brasil, repleto de corrupções, violências, falta de zelo e cidadania, a hora cívica é um momento conturbado para quem está para lá de Bagdá com tanto descaso.
Pois digo que não deveria ser assim. Infelizmente confundimos o país que temos com aquele que queremos e nos esforçamos todos os dias para fazer crescer. Só podemos nos orgulhar de sermos brasileiros estando cientes que temos maravilhas a cultivar. E temos mesmo, somos com frequência destaques no exterior, tanto no esporte quanto na criatividade tecnológica, nos avanços econômicos que aos trancos e barrancos efetivamente se consolidam e na forma afetosa como nos relacionamos com todos os povos. Falta muito, é verdade, mas o mar não é de rosas para nenhum país no mundo.
As coisas boas, porém, não nos esforçamos para lembrar aos nossos jovens. Tenho visto poucas manifestações de amor pela Pátria nos desfiles cívicos. Os protestos preponderam. Se forem formas de expressar que queremos um futuro melhor, ainda vá, mas muitas vezes parece mera desilusão. O problema é fazer com que as crianças vejam simplesmente este lado e cultivem um certo desconforto por empunhar uma bandeira brasileira. Aliás, onde estão os cartazes e bandeiras verde-amarelos com frases para a autoestima nacional? Cada vez mais raros.
Cadê o incentivo às bandas dos colégios, hoje praticamente extintas? Lembro com saudade do meu tempo de banda, que muito me ensinou sobre ritmo, senso musical, harmonia. Nunca associei banda com militarismo ou ditaduras como gostam de apontar alguns neuróticos da educação libertária. Banda ensina música, que, aliás, os colégios já estão sendo obrigados a assumir em seus currículos.  Eu sinto saudade nas horas cívicas daqueles poemas bem escrachados de amor por essa terrinha tão machucada, das crianças com bandeirinhas  do verde das matas cantando Eu Te Amo, Meu Brasil sem nenhuma conotação pejorativa por trás ( por que diabos sempre tem de haver uma?). Amor que não tem nada a ver com política, mas com essa gente trabalhadora que nos orgulha todos os dias. Somos - que pena! - tão abatidos com nossa história,  desmotivados das nossas conquistas.
Por que não podemos vibrar com esse país tão cheio de belezas ao menos uma vez por ano? Temos outros 364 dias para discutir e resolver nossos sérios problemas que nunca deveriam aplacar nosso amor pela Pátria, a Pátria que nos concede nossa identidade. Seria bom se nas salas de aula e nas salas de estar pudéssemos ouvir, além das críticas e da conscientização sobre nossos problemas, um pouco de saudável ufanismo por todas as nossas riquezas, valores e capacidade. Que tenhamos o direito de sermos estimulados a externar nossas felicidades nacionais sem vergonha ou medo, porque é essa força que vai garantir estar sempre acesa a chama da mudança nos corações jovens. Só amando verdadeiramente nosso país poderemos melhorá-lo.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Seja apaixonado!

Adoro gente apaixonada. A paixão saudável, claro, não o terrorismo emocional. Quem curte muito o que faz contagia os outros e não se pode fazer nada a não ser jogar a  toalha. Entrego-me a quem é assim. Toda vez, não tem jeito.
Por exemplo, quem tem paixão pelo trabalho faz todo o mundo notar, não precisa apresentar o caso. O entusiasmo garante que quem estiver por perto fique logo sabendo. Às vezes dá uma inveja porque parece que ali não reside problemas, é tudo festa. Mas existem problemas sim, só que a pessoa apaixonada acredita que tudo valerá a pena no fim...e não é que tudo compensa mesmo? Claro, pois as pedras no caminho são só um percalço que desaparecerá assim que o resultado final for alcançado. E os apaixonados sempre alcançam o que querem porque não desistem nunca de ser felizes. Se não dá de um jeito, muda-se o roteiro e pronto! Dê-lhe paixão para outra direção, mas sempre fazendo o que se gosta. Para que dinheiro se eu só quero amar? já perguntava o incrível Tim Maia em uma de suas músicas mais famosas.
Adoro gente apaixonada. É aquela alegria e disposição que lhes consome todas as forças ao mesmo tempo que as regenera. Veja-se a relação dos homens com o futebol. Mesmo a mais fanática das torcedoras é incapaz de reproduzir a paixão que os move quando o assunto é bola na rede. Enquanto as mulheres simplesmente vibram, os homens remexem as entranhas. Porque é assim: paixão só é paixão de verdade se for visceral. Por isso, até posso me incomodar quando os gritos são efusivos demais e as manifestações se alastram pela madrugada , mas se forem frutos da paixão saudável pelo esporte...eu entendo.
E o que dizer das mulheres e sua paixão incondicional pelas criaturas que colocam no mundo? Não há nada capaz de se interpor entre uma mãe e um filho. O pai até que tenta, mas sabe lá no fundo que não fará fervilhar seu vínculo afetivo do mesmo modo que a leoa mãe. Porque só lá, enraizado no ser materno, é que o arrebatador sentimento reside com doçura ao mesmo tempo em que está apto a transformar-se em um tsunami quando menos se espera. Desculpem-me quem nunca saiu do sério para agarrar algo apaixonadamente. Desculpem-me os técnicos competentes por detrás de suas mesas. Desculpem-me aqueles que batem ponto apenas esperando o salário chegar. Perdoem-me. Verdadeiramente não tenho nada contra nenhum de vocês, às vezes é grande mesmo a vontade de sucumbir ao marasmo. Desculpem-me todos, mas gente apaixonada é uma benção para a vida e para o mundo. Elas são melhores porque fazem as coisas vibrarem. A paixão nunca deixa ninguém esmorecer, o máximo que ela permite é um pit stop rápido para o coração aquiescer.
Não queria terminar com um chavão tão comum, porém quem resiste... A vida é muito curta para não sermos apaixonados. Sejamos logo antes que o tempo passe tão depressa que não nos dê nem tempo de sorrir. Recebemos apenas um sopro para voar com o qual precisamos plainar por toda nossa existência. Com certeza essa experiência merece o ardor que a torne inesquecível.
   

sábado, 30 de julho de 2011

Amy, a personagem

Se você é do tipo que não se escandaliza mais com nada, nem precisa ler adiante. Este post é sobre a Amy Winehouse, que morreu vítima das drogas, em uma escalada crescente de degeneração física e emocional. Igual a tantas outras jovens? Pode ser, porém quem tem sensibilidade é bom que reflita. Chamou-me a atenção esta jovem não só por ser dona de uma voz incomparável, mas pelo apreço que recebeu entre os jovens de sua geração, copiadores do seu estilo de vestir e se arrumar.
Será que Amy era mesmo a garota que seguiu os passos de ídolos da juventude de outras épocas, como Janis Joplin e Kurt Cobain, que também deixaram cedo os palcos tragados pelas drogas? Sim, ela também sucumbiu, no entanto há uma diferença bastante acentuada entre esta jovem e toda aquela turma dos anos 70. Amy não parece ter usado drogas para amplificar seu talento, para romper padrões, expor rebeldia ou compor letras mais piradas como foi a tônica da geração hippie. De frágil estrutura emocional, cedo foi turbinada para o sucesso e como apoio teve companheiros que a incentivaram à decadência. Ela teve realmente pouca ou nenhuma escolha. Preferível então compará-la a Michael Jackson, que mesmo muito mais velho, também terminou soterrado pela fama, massacrado pela mídia, sem poder repousar. No final, viu-se dormindo para sempre em uma overdose de anestésicos.
O que eles tinham verdadeiramente em comum, além do talento, é que ao seu lado não havia ninguém para dizer chega! Deveria ser absurdo a nós perceber estarmos em uma sociedade que aplaude a drogadição e que já excedeu o seu limite de perversidade,  sacrificando seus jovens escancaradamente, sem remorsos. Mas não, não é absurdo, tudo existe dentro de uma lógica doida, é muito lindo se chapar e se não lembrar de nada no outro dia a risada vai ser muito mais gostosa. É divertido correr riscos, it's so cool. Talvez já tenhamos vivido demais e estejamos de ressaca de sobrevivência. Quando será que o mundo vai acabar mesmo? Houve quem colocasse garrafas de bebida alcóolica em homenagem à Amy, incrível não?Deveriam ter quebrado garrafas, queimado suas baganas e seringas em uma grande fogueira simbólica. Mas não. A revolta e a tomada de atitude não existe mais em uma sociedade inconsciente de tão entorpecida por valores equivocados.
Todos nós estamos ébrios, de cara cheia de individualismo. Amy morreu e sua morte não significa nada. Ela era uma personagem e cumpriu o papel que todos esperavam. Quem quer saber se existia humanidade nela? Pois digo que deveriam querer saber. Muitas outras Amys ainda estão por aí, talvez não tão talentosas, o que as tornam alvos ainda mais fáceis da nossa indiferença.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Liberalidade perigosa


Lá vai o Brasil novamente para o lado contrário do bom senso. Ao invés de investir em novos presídios e em educação profissional para a massa carcerária, opta por libertar quem comete pequenos crimes ou pior - passa a aplicar penas alternativas que francamente são uma piada.
Você pode roubar, portar arma ilegal, fazer receptação, que mesmo assim farão de tudo para que você fique livre. A incoerência está ficando mesmo temerária. Os cidadãos tem de arcar cada vez mais com o convívio de deliquentes na rua para que o Estado e o Judiciário sintam-se aliviados de suas responsabilidades. Solução tão fácil quanto varrer a sujeira para baixo do tapete. Só que um dia todo esse lixo vai aparecer e talvez seja tarde demais para muitos de nós, cidadãos de bem.
Nosso país nunca investiu verdadeiramente em sistema prisional. Sempre entendeu as prisões como depósito de gente quando deveriam ser locais de recuperação para a volta produtiva e saudável dessas pessoas à sociedade. Quem comete pequenos delitos frequentemente tem um histórico de abandono, miséria ou má influência, pouca educação formal ou muita mas sem exemplo de valores morais. Só que ingressar no mundo da marginalidade é como adendrar o universo das drogas. Você testa e se nada lhe acontece você segue adiante. A ausência de limites cedo impulsiona o indivíduo a praticar atos mais graves assim como a experimentar drogas mais pesadas. Esse é um princípio básico da educação, qualquer bom pai sabe disso.
Mas o governo não. Quer mais é livrar o seu lado, como se fosse escapar impunemente adiante. Só que sinto muito: com a nova e liberal legislação, só quem vai se escapar são os criminosos. A teoria de que coibir os pequenos ilícitos previne os mais graves já foi testada com êxito em muitos países asiáticos. A criminalidade é baixíssima no Japão e nas Coréias, por exemplo, onde se passam anos sem que nenhum furto ou roubo se registre porque lá jogar papel de bala na rua dá uma encrenca braba. E o Brasil faz justamente o oposto. Deixa correr frouxo as infrações leves para ter de punir só quando transformarem-se em graves e cruéis. Ao invés de desafogar o sistema prisional, o governo está é projetando sua superlotação adiante. Que custo para a sociedade, para as vítimas de todos esses crimes hediondos, para os pais que ficam sem seus filhos, para os cidadãos que vem os recursos públicos escoando para os bolsos de corruptos!
Já era demais aguentarmos a tal da lei de progressão de regime, possibilitando a fuga sem fim de conhecidos marginais irrecuperáveis. Agora isso, o prende-e-solta vai virar o solta-de-uma-vez camuflado com o nome de medidas alternativas à prisão provisória: vamos esperar sentados o bandido apresentar-se espontâneamente à Justiça, deixar de ir à casa da mulher para espancá-la, de viajar para onde quiser só porque assim a lei está determinando. Quem vai fiscalizar isso? Por favor, não humilhem nossa inteligência! Somos humildes, não idiotas.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Um brinde à incoerência!

Eu queria entender o que nossa sociedade quer fazer realmente em relação às drogas. Proibir ou incentivar? Aparentemente só traficantes deveriam ser a favor desse comércio nefasto que destrói nossos jovens em tenra idade. Infelizmente não é verdade. Basta olhar para a foto ao lado para percebermos que a droga é legalmente aceita e incentivada até entre crianças por empresas com propagada idoneidade. Mesmo sem álcool, a champanha das princesas e dos carros tem tudo das originais borbulhantes brindadas nos reveions e está nas prateleiras dos supermercados junto às bebidas de adultos que é para as crianças não duvidarem de sua autenticidade. Acostume seus filhos desde já com a ideia de que festa combina com bebida alcoólica e verá como cedo eles associarão a necessidade de ingerí-la à diversão.
Aí você pensa que quando a criançada entrar na adolescência estará mais protegida por ter aprendido na escola que drogas não são legais - fique longe delas! - mas na boate de sábado comprarão ingressos que darão direito a cerveja (grátis!), mesmo que eles sejam menores de idade. De que adianta todo o seu português contra esse tipo de estímulo? Somos constantemente assediados pela sedução da droga, um comportamento que choca-se com as campanhas de conscientização, com a orientação que nos esforçamos a dar, com as leis de restrição. Enquanto houver essa contradição, vamos combinar, é chover no molhado tentar educar.  
Nunca esse contraste ficou tão claro quanto agora, quando se discute a descriminalização da maconha. Se a droga for liberada, muitos fumantes do cigarro tradicional, atualmente acuados pela proibição de exercer seu vício em diversos locais públicos, vão trocar de bagana. Ou será que vão liberar para depois restringir, gastando milhões em campanhas de conscientização? Mas tem sempre alguém para lembrar que a descriminalização da droga é para acabar com o tráfico. Isso seria realmente um benefício se tal intento se concretizasse. Se permitir a venda de drogas terminasse com o negócio dos traficantes não veríamos todos os dias o contrabando de cigarros, produto legalmente aceito, invadindo as nossas fronteiras. Para o crime organizado, nem chega a haver uma mudança, é só seguir o baile.
Então, vamos deixar de ser hipócritas! Ninguém pode impedir pais de beberem ou fumarem diante de seus filhos dentro de seus lares, dando o solene exemplo da displicência e, por que não dizer, da idiotice. Agora podemos sim, a despeito do capitalismo, viver melhor e mais saudáveis se nos livrarmos da incoerência no âmbito social. É impossível contermos as drogas se continuarmos a incentivar o seu consumo nas entrelinhas e também ostensivamente em festas e eventos públicos. É extremamente confuso para crianças e jovens ver o circo armado sem entender se é para divertirem-se nele ou não.

domingo, 12 de junho de 2011

Casa de Cultura: de quem é a incompetência

Um projeto de cedência da Casa de Cultura para o Lions Clube gerou um debate na Câmara de Vereadores que acabou, como não é incomum por aqui, em politicagem. Da mais grosseira. Como não podia acusar a atual administração do município pelo abandono do local, já que integra a bancada da situação no legislativo, o vereador Altevir Medeiros conseguiu a proeza de culpar a secretária de turismo do governo anterior, que deixou o cargo em 2004, e cujo trabalho tornou possível a construção desse patrimônio público.
Lá se vão sete anos e ao que parece os representantes do atual governo e o distinto vereador nunca haviam pisado na Casa de Cultura. Nunca foram às várias exposições culturais que lá aconteceram durante os eventos do município no parque de exposições. Essa é a única explicação para jamais terem percebido como o "projeto era de má qualidade", como agora constatou o vereador, ou que o imóvel estava deteriorado, o que não é de estranhar depois de quase uma década sem investimento público! Ao ceder o imóvel para entidades sociais nada mais faz o governo do que assinar o atestado de incompetência em cuidar do patrimônio pelo qual deveria ser responsável.
Estranho é que reformas vultuosas foram feitas no parque de exposições no último ano e nem um olhar foi dado à Casa de Cultura, por que será? Teria a ver com o fato da obra ser mérito de outro governo? Ao invés de acusar e difamar quem trouxe benesses para o município, deveria o vereador sentir vergonha e calar-se diante da inoperância e do descaso que tem o governo que defende com o patrimônio público. A Casa de Cultura é só mais um na lista dos projetos que ficaram ao léu. O quiosque de produtos coloniais continua às moscas e o prédio, que já precisou de reparos sem nunca ter servido à comunidade, virou um monumento ao desperdício de dinheiro público. Tudo indica que o Centro de Feirantes caminhe para o mesmo destino. Há um ano que o prédio está "em acabamentos finais" e nada de inauguração. Se bem que os feirantes esperam que isso nunca aconteça pois abominam a ideia de sair do centro da cidade e perder sua clientela. Se tivessem sido ouvidos previamente sobre o projeto talvez o dinheiro público fosse melhor aproveitado.
Então, é preciso pensarmos, de quem é a incompetência no trato com o patrimônio público? De quem trabalha para trazer novos projetos à comunidade ou de quem terceiriza responsabilidades e cobra outros por aquilo que é seu dever fazer? Quando a sociedade terá uma explicação sobre tudo isso? Cabe ao bom administrador dar uma satisfação adequada a esses questionamentos que angustiam o cidadão pois há tão longo tempo nada se sabe porque tais obras continuam sem o uso devido. Cabe ao bom vereador cobrar essa explicação, ou o partidarismo fala mais alto do que o interesse da comunidade?